sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PROGRAMA URBANO ENCERROU SUA SEGUNDA ETAPA

Ontem, 10 de dezembro, de 2015, dia Internacional dos Direitos Humanos, nossa equipe do Programa Urbano se reuniu com, amigos, parceiros e autoridades para celebrar três anos de muito trabalho pela Cidade de São Paulo, especialmente a  população mais pobre, que é a que mais sofre. Foi um momento de muita alegria com boa dose de satisfação por analisarmos que o projeto  “Promovendo uma cidade inclusiva e sustentável: redução da vulnerabilidade social, ambiental e climática das comunidades de baixa renda em São Paulo”, deixa boa contribuição para nosso município.

Para nós não foi apenas uma cerimônia de encerramento, foi sim uma grande celebração de do trabalho realizados nesta segunda fase do Programa Urbano, que começou em janeiro de 2013.  Temos que destacar que sem o financiamento da União Europeia e a parceria com a CAFOD – Agência Católica da Inglaterra e país de Gales para a Cooperação Internacional, esse belo trabalho que envolveu  membros da  APOIO - Associação de Auxílio Mútuo e do MDF- Movimento de defesa dos Favelados  não teria tido o mesmo resultado.

O evento de ontem contou com  a presença do Secretário Municipal da Habitação, João Sette Whitaker Ferreira; do Diretor Presidente da COHAB, João Abukater Neto;  Sra. Denise Verdade, representando a Delegação da União Europeia no Brasil,  Clare Dixon,  Cecília Iório e Emily Muville, representantes da CAFOD;  Benedito Barbosa da Central de Movimentos Populares, que compuseram a mesa e  de representantes das famílias beneficiárias e das entidades da sociedade civil.

Já na abertura  as crianças do Centro Cultura da Vila Prudente fizeram apresentação de dança e música. Na sequência os presentes puderam ouvir a avaliação da caminhada do projeto e seus resultados com as coordenadoras Heluiza Soares e Sueli de Fátima Almeida e também das  autoridades e representantes das entidades presentes. Houve ainda a apresentação de um vídeo da União Europeia sobre seu papel como parceiro co-financiador do projeto.   
O principal desafio do Programa Urbano tem sido casar a luta pela moradia, direito humano fundamental,  com a sustentabilidade. Para atingir este objetivo temos trabalhado com educação popular sobre a contribuição da poluição para as mudanças climáticas, a vulnerabilidade dos mais pobres diante das catástrofes provocadas pelo aquecimento global: fortes chuvas, com deslizamentos, enchentes e  períodos longos de seca com falta d’água.  Estas questões antes mais restritas aos ambientalistas e espaços escolares foram levadas para as comunidades pobres onde o Programa Urbano atua. Produzimos uma cartilha com informações em linguagem acessível que foram muito úteis nas oficinas.  Durante o período da grave crise de abastecimento pelo qual passou a cidade de São Paulo, em 2012, as oficinas de educação foram ampliadas e passamos a ensinar a construir cisternas para captação de água da chuva e também a produzir hortas urbanas.  Neste link  é possível visualizar o mapa de cisternas que foram implantadas.

Toda essa experiência foi compilada em duas ações, que deixamos como contribuição ao final desse processo: Um projeto Piloto de Cidade Sustentável e um Documento de incidência política.
O  Projeto Piloto de cidade, produzido com a ajuda do Arquiteto Rainer Grassmann e do Rafael Pacini,  está disponibilizado  no site www.saopaulosustentavel.com,  - que juntamente com a Cartilha “O Povo quer Moradia digna e sustentável”, disponível para download no site do PU, são instrumentos que foram  produzidos por nós,  com objetivo de empoderar os  cidadãos e as cidadãs  para a cobrança das autoridades,  do cumprimento das legislações ambientais,  e ao mesmo tempo  educar para as responsabilidades individuais, na preservação ambiental e nas adaptações, das residências e da vivência,  para a sustentabilidade. 

O Documento de Incidência Política foi entregue para o Secretário de Habitação do Município de São Paulo, na cerimônia de ontem, com propostas de moradia sustentável, que foram elaboradas com base na experiência de participação popular do Programa Urbano,  durante os três anos de duração do projeto.

Ao final os presentes assistiram a um vídeo, dirigido e editado pelo cineasta Manuel Moruzzi. Belíssima obra que consegue captar boa parte das experiências vividas pelos educadores no dia-a-dia de seus trabalhos na base, com as famílias em extrema vulnerabilidade sócio-ambiental e a alegria plena dos que já conquistaram suas moradias definitivas. 

E festa boa tem que ter comida. Encerramos degustando as delícias preparadas pela turma da Cooperativa de mulheres Pão e Arte.  Que venha a próxima fase! 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cerimônia de Encerramento do Projeto




















A cerimônia de encerramento do projeto acontecerá na quinta-feira dia 10 de dezembro de 2015, às 19h, no  Colégio Maria Imaculada, Rua Maestro Cardin, 1.144 (6ºandar),  Bela Vista --  São Paulo - SP.  O evento celebrará também o Dia Internacional de Direitos Humanos. Presença confirmada da CAFOD e da Delegação da União Europeia no Brasil.


O objetivo deste Projeto, implementado de janeiro de 2013 a dezembro de 2015, é contribuir para uma cidade inclusiva, através da melhoria das condições de vida e diminuição da vulnerabilidade socioambiental de comunidades que vivem em situação de pobreza em São Paulo.

Este projeto é uma parceria entre duas entidades do Programa Urbano: a APOIO (Associação de Auxílio Mútuo) e o MDF (Movimento de Defesa do Favelado – Região Episcopal Belém). O projeto conta com o apoio de CAFOD (Agência Católica para a Cooperação Internacional da Inglaterra e país de Gales) e o co-financiamento da União Europeia.

Sua presença é essencial no evento. Contamos com sua participação e nos colocamos a disposição para eventuais esclarecimentos.

Para confirmação, favor enviar e-mail para apoioimprensa@gmail.com ou nos telefones (11) 9534-2913  (Heluíza) ou (11) 99818-8105 (Sueli).

Atenciosamente,


                    Heluíza Regina Soares                     Sueli de Fátima de Almeida Machado
                Coordenadora do Projeto                            Coordenadora do Projeto  
                 APOIO                                                      MDF
                                                                                          



“Promovendo uma cidade inclusiva e sustentável: redução da vulnerabilidade social, ambiental e climática das comunidades de baixa renda em São Paulo”

Entidades realizadoras: MDF, APOIO e CAFOD
Local: Rua Maestro Cardin, 1.144 (6ºandar),  Bela Vista -  São Paulo - SP
Data: Quinta-feira 10 de dezembro de 2015, Horário: 19:00 horas  

Objetivo: Dar visibilidade ao projeto e seus resultados na promoção de uma cidade justa e sustentável em São Paulo, comemorando seu encerramento no Dia Internacional dos Direitos Humanos, e dar reconhecimento e agradecer aos principais envolvidos, incluindo às famílias e lideranças comunitárias, à equipe das entidades realizadoras, e aos parceiros e apoiadores.

Programação da Cerimônia
19h00 – Chegada -  Apresentação das Organizações e Representantes Presentes
ü  Chegada e assinatura de lista presença
ü  Animação das crianças do Centro Cultural Vila Prudente
19h15 – Abertura do evento e Apresentação do Projeto
ü  Bem-vinda da Coordenação: Saudação de boas-vindas, apresentação dos convidados (público das comunidades, autoridades, organizações executoras e parceiras, e União Europeia); apresentação da programação do evento e objetivo.
19h30 - Momento das falas da Mesa: Composição da mesa: Coordenação do projeto (APOIO e MDF); Cecília Iorio (CAFOD); Sra. Denise Verdade (Delegação da União Europeia); representantes das autoridades locais, e representantes de sociedade civil. 
ü  Apresentação sobre a caminhada do projeto e seus resultados (MDF, APOIO) (10 mins)
ü  Fala de CAFOD (5 mins)
ü  Apresentação da União Europeia e seu papel como parceiro co-financiador do projeto e vídeo – Sra. Denise Verdade, representante da Delegação da União Europeia no Brasil (10 mins).
ü  Breve saudação e intervenção dos representantes presentes das autoridades locais, ONGs e movimentos parceiros (2 mins cada).
20h00 – Apresentação pública do Projeto Piloto e Depoimentos (20 minutos)
ü  Projeto Piloto de moradia sustentável e propostas de incidência do projeto
ü  Vídeo com depoimentos das famílias e comunidades
20h20 – Agradecimentos e fechamento (10 minutos)
20h30 – Coquetel de Encerramento
21h30  – Encerramento do evento



Sobre o Programa Urbano
O Programa Urbano atuando desde 2007 para a redução da pobreza urbana em São Paulo. O Programa é uma colaboração implementada pelos parceiros APOIO (Associação de Auxilio Mútuo) e MDF (Movimento em Defesa dos Favelados), com apoio de CAFOD (Agencia Católica para o Desenvolvimento Internacional da Inglaterra e País de Gales). Esta iniciativa tem como objetivo melhorar o acesso de famílias de baixa renda, especialmente aquelas chefiadas por mulheres, a políticas públicas de moradia e serviços básicos em favelas, áreas de moradia irregular e cortiços, em São Paulo, diminuindo sua vulnerabilidade frente às dimensões econômicas, ambientais e às mudanças climáticas.

Em 2012, o Programa obteve co-financiamento da União Europeia para implementar o Projeto “Promovendo uma cidade inclusiva e sustentável” em São Paulo. Este projeto segue 3 eixos fundamentais de ação: o fortalecimento comunitário a partir da organização, formação e participação popular; a promoção de políticas públicas sustentáveis de urbanização, moradia popular e serviços básicos de adaptação e redução dos riscos de mudanças climáticas; e o fortalecimento das propostas e parcerias com organizações locais, junto a autoridades.

Sobre as entidades executoras
APOIO - A Associação de Auxílio Mútuo iniciou suas atividades em 1992, durante a Campanha de Combate à Fome. A partir de 1996, implementou atividades junto a moradores de favelas e cortiços. Parcerias com entidades internacionais permitem, à APOIO, presença permanente na organização de pessoas e grupos comunitários, em defesa de direitos sociais na cidade de São Paulo.

MDF - O Movimento de Defesa do Favelado nasceu na década de 70, da luta dos favelados por saneamento básico, água, luz, rede de esgoto e terra. Essa luta se concretizou na Região Belém, através da formação de pequenos grupos que se juntaram, apoiados na fé e no sonho de transformar um mundo de miséria em um mundo de partilha. Hoje atua em 40 favelas a partir do tripé de Solidariedade, Presença e Resistência.

Sobre os apoiadores
CAFOD - A Agência Católica da Inglaterra e país de Gales para a Cooperação Internacional atua em 40 países em parceria com mais de 300 organizações da sociedade civil para combater a pobreza e promover um mundo mais seguro, sustentável e pacífico. No Brasil, a CAFOD trabalha desde 1968 acompanhando a organizações de sociedade civil para contribuir com o combate à exclusão social e econômica.

União Europeia - A União Europeia é uma parceria econômica e política com características únicas, constituída por 28 países europeus. Juntos, ao longo de um período de 50 anos, construíram uma zona de estabilidade, democracia e desenvolvimento sustentável, preservando, ao mesmo tempo, a sua diversidade cultural, a tolerância e as liberdades individuais. A União Europeia está empenhada em partilhar as suas realizações e os seus valores com países e povos para além de suas fronteiras.

Para saber mais:


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Mais de 50 cisternas instaladas para captação de água de chuva


Em paralelo à  luta junto ao poder público, pela implementação de medidas estruturais, o  Programa Urbano iniciou um trabalho com as comunidades para mitigar os problemas de abastecimento de água, realizando oficinas de produção e implantação das cisternas.

Com o apoio da Cartilha , as oficinas de construção das cisternas envolvem também as crianças e os jovens  das comunidades.  Depois de prontas são acopladas à calha do telhado, reservam a água de chuva, que serve para lavar banheiros e quintais. A experiência tem sido multiplicada nas favelas e comunidades onde o Programa Urbano atua.  Também já foi levada para outros municípios e até outros países através de inúmeras reportagens de diferentes veículos de comunicação. Atualmente  são mais de 50 cisternas instaladas, as localidades podem ser vistas no Mapa Cisternas.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

IMIGRANTES NA OCUPAÇÃO ARMÊNIA

A educadora do Programa Urbano, Josélia Martins assessora as famílias sem-teto da Ocupação Armênia. Cinquenta famílias habitam o prédio que foi ocupado no mês de Abril de 2015. O imóvel estava abandonado, cheio de lixo, há mais de 10 anos e tem dívidas que ultrapassam os dois milhões de reais. Algumas de imigrantes também só têm encontrado acolhimento nas ocupações, com os sem-teto da rica Cidade de São Paulo, a família dos bolivianos Simon Ruiz Bautista  e Sonia Mamami Ibanez é uma delas.

Simon e Sonia têm cinco filhos, enfrentaram todo tipo de dificuldades impostas  às famílias em situação de extrema vulnerabilidade em São Paulo,  e com o agravante de além de  pobres serem imigrantes. "Saia cedo e só voltava tarde da noite, só via meus filhos no final de semana", relata Simon, com lágrimas nos olhos. Sonia também tem tristes lembranças da confecção onde trabalhava. "Não me deixavam folgar nem no feriado. Me disseram que eu era Boliviana e tinha que trabalhar. Não tinha que descansar em feriado de brasileiros", afirma.

Desde o mês de agosto a  família vive com seus cinco filhos na Ocupação Armênia. " Não dava mais para pagar o aluguel. O dono queria que a gente saísse. Passei por que e vi escrito 'Luta por moradia', pensei comigo: 'Quero lutar', recorda Simon.

O casal conta que foi  bem recebido pelos coordenadores:  Simon conta que chegou da Bolívia em 2005, já tinha uma filha,  conheceu Sonia e teve mais quatro filhos com ela.  "Eu não tenho mais condição de voltar à Bolívia. Só tinha minha mãe lá e ela já morreu.  Cheguei aqui quase chorando e eles disseram não precisa chorar, nós vamos ajudar vocês." lembra Simon "Eu estava desesperada, ia ser despejada, eu não sabia o que fazer. Aí a gente conheceu a Josélia. Para nós foi como um anjo caído do Céu, pra nós e pra nossos filhos. Antes a gente não conseguia nem comprar roupa para nossos filhos. Conheci muitas pessoas boas aqui que nos ajudaram". afirma Sonia.

Hoje a família, apesar da precariedade física do imóvel, declara que sua vida melhorou muito, Com o dinheiro da rescisão da confecção onde trabalhavam compraram duas máquinas e trabalham em casa,  "Estamos muito felizes, muito sossegados aqui na ocupação, mudou bastante nossa vida. Levamos as crianças pra creche pela manhã, pegamos à tarde, e vivemos tranquilos."

A educador Josélia Martins orienta  e acompanha as famílias, para as matrículas nos postos de saúde, vagas em creche/escola, e na incidência junto ao poder público pelo direito à moradia.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Manifestações no Dia Mundial do Sem Teto pelo Minha Casa Minha Vida III

Educadores do Programa Urbano participaram em São Paulo dos atos que aconteceram em pelo menos  mais 15 capitais brasileiras,  para pedir  o lançamento imediato da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, nesta segunda-feira, Dia Mundial dos Sem-Teto. 

O ato que reuniu os movimentos de moradia  aconteceu na porta da Caixa Econômica Federal na Praça da Sé onde um acampamento está montado. Os movimentos cobram o lançamento e início imediato do programa Minha Casa, Minha Vida III;  o retorno de R$ 5 bilhões que foram cortado da área habitacional, para o orçamento 2016 e a destinação para moradia popular,dos imóveis da União  postos à venda. 


Os movimentos articulados nessa luta, junto ao poder público, pelo direito dos sem-teto são: Central dos Movimentos Populares (CMP), Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Movimento de Luta dos Bairros e Favelas (MLB), União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU).

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Operação Urbana Bairros do Tamanduateí


Para discutir o impacto que a Operação Urbana Bairros do Tamanduateí representará para os moradores das favelas de Vila Prudente, Educadores do Programa Urbano reuniram moradores  da Viela da Sabesp (Rua Henry Ford), Ilha das Cobras (Rua João Afonso) e Portelinha (Rua Dianópolis com Rua Pacheco e Chaves), Zona Leste da Capital Paulista, nesta segunda-feira,28.

O encontro aconteceu na Igreja da Comunidade São José Operário,  na Favela de Vila Prudente. O objetivo é mobilizar a comunidade para lutar pela garantia da moradia, nesse processo de retirada das famílias para revitalização das margens do Tamanduateí e criação de 20 mil moradias populares.


OPERAÇÃO URBANA BAIRROS DO TAMANDUATEÍ
Em São Paulo, as operações urbanas sempre concederam ao mercado imobiliário uma verdadeira “licença para matar” regiões inteiras da cidade. Até agora representaram apenas uma parceria para a exclusão social. Queremos reverter esta perspectiva garantindo o direito à cidade, radicalizando a democracia, priorizando uma visão socioambiental e convidando os proprietários e empreendedores a compatibilizar o interesse público com o meramente individual.
Para contribuir nessa discussão, as entidades que atuam historicamente na luta pela regularização e urbanização das favelas, os movimentos dos sem teto, os encortiçados, os urbanistas comprometidos com a mudança social e os estudantes convidam a todos os interessados a construir coletivamente uma plataforma de lutas que proponha alterações na minuta apresentada pela Prefeitura.
(Veja no site da Prefeitura mais informações sobre a Operação Urbana Bairro do Tamanduateí. Acesse também o link para contribuições à minuta do projeto de lei)
Em defesa da cidade e contra a expulsão dos trabalhadores, defendemos:
Mais debates, maior consenso – A fase final do debate no executivo deve permitir a pactuação mínima das principais divergências. Queremos a realização de, no mínimo, mais seis audiências públicas e também a análise do Conselho Municipal de Política Urbana, anteriores à elaboração do projeto de lei e que permitam: discutir o modelo de adensamento proposto, a política de habitação que deverá ser implantada, a radicalização da aplicação dos instrumentos urbanísticos, tais como as ZEIS, a cota de solidariedade, o parcelamento e a edificação compulsórios, as formas de controle social, entre outros.
Do teto e do chão não se abre mão! – Os moradores das favelas, dos quintais e cortiços e a população de rua até hoje só conheceram a mão forte da especulação imobiliária. O Estatuto da Cidade ainda não chegou para a maioria. Queremos a clara indicação de que os atuais moradores não sejam expulsos pela valorização imobiliária. Queremos prioridade para a urbanização das favelas e para a moradia popular, com mutirão e autogestão, com a relação de favelas listadas na lei e garantia de acesso e atendimento aos atuais moradores.
Adensamento para quem? – O adensamento populacional proposto é claramente antipopular. Prioriza e estimula o mercado, cuja forma de desconstruir o tecido urbano é conhecida. Queremos o detalhamento da produção imobiliária que se almeja, com a atualização das informações necessárias à compreensão do déficit habitacional existente e a formulação de uma estratégia para sua superação.
Não à relocação de ZEIS. – A principal característica das ZEIS é a garantia de terra bem localizada. A demarcação destas áreas é fruto de uma pactuação pública, realizada no Plano Diretor sob ampla participação social. Rever esta pactuação é um retrocesso injustificado. A quem interessa rever as ZEIS?
Controle Público da Gestão – Defendemos o controle público da gestão, com transparência, controle social. A proposta da empresa de gestão não explicita seus mecanismos de governança democrática.
Participação Efetiva – Revisar a proposta do grupo de gestão, garantindo maioria numérica à sociedade organizada e funcionamento, como contraponto necessário ao poder da administração e do mercado, a eleição direta de representantes, a possibilidade de suporte técnico à participação dos leigos e a instituição de mecanismos claros de monitoramento.
São Paulo, 21 de setembro de 2015
UNIAO DOS MOVIMENTOS DE MORADIA – MOVIMENTO EM DEFESA DO FAVELADO – MOVIMENTO DE MORADIA DA REGIÃO SUDESTE – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA LESTE 1 – UNIFICAÇÃO DAS LUTAS DE CORTIÇOS E MORADIA – LABCIDADE-FAU USP – INSTITUTO POLIS – OBSERVASP

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Avaliação externa do Programa Urbano

Nesta quarta-feira, 16 de setembro, a equipe do Programa Urbano  esteve reunida na Ação Educativa, com Luiz Kohara - doutor em Arquitetura e urbanismo, assessor de movimentos sociais urbano   e membro do Conselho Municipal de Política Urbana- , para uma avaliação externa dos três anos projeto "Promovendo Uma Cidade Inclusiva e Sustentável", no Município de São Paulo.

O Programa Urbano atua para a redução da pobreza urbana em São Paulo desde 2007. Em 1º de janeiro de 2013, uma nova fase deste programa começou com o projeto “Promovendo uma Cidade Inclusiva e Sustentável”, financiado por CAFOD e a União Europeia, com duração de três anos. O foco desta nova fase é a redução das vulnerabilidades sócio-ambientais e impactos das mudanças climáticas, nas comunidades de baixa renda em São Paulo.


Ao longo do dia o grupo expôs suas potencialidades, êxitos, dificuldades e necessidades na atuação em favelas e comunidades. Um dia-a-dia de  acompanhamentos e suporte  às comunidades, na luta por regularização fundiária, urbanização de favelas, saneamento básico. A atuação junto aos conselhos para monitorar os orçamentos públicos e fazer incidência política, na implementação de políticas públicas, de interesse das populações em extrema vulnerabilidade social. A produção de materiais para a formação continuada sobre direitos fundamentais, direito das mulheres, mudanças climáticas e educação ambiental. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Horta urbana na Ocupação São João, 588

O Coletivo Cultural da Ocupação São João, 588, que conta com o apoio de educadores do Programa Urbano, promoveu oficinas de horta urbana. O espaço onde agora está a horta que abastecerá a comunidade era muito diferente em 2010. “Aqui tinha muito lixo e água parada, limpamos tudo e transformamos. Fizemos a mesma coisa em todo o prédio. A ocupação não é uma moradia 100%, mas ao menos as famílias estão protegidas da chuva.” afirma Mildo Ferreira dos Santos.

O antigo Hotel Colúmbia Pálace ficou abandonado por 17 anos. Fotos
feitas em 2010 mostram o estado de abandono em que se encontrava,  no Centro da Cidade de São Paulo, rodeado de toda infra-estrutura. No dia 3 de outubro próximo completa cinco anos que o prédio foi ocupado, limpo e revitalizado pelos sem-teto. Desde então os seis andares estão ocupados por 91 famílias.



“Antes eu só trabalhava, trabalhava e não conseguia pagar um aluguel sozinho. Quando minha avó morreu vim pra cá e conheci a organização pra luta. Hoje graças à Apoio e o Programa Urbano conheço os direitos fundamentais garantidos pela Constituição. E já comecei a contagiar meus cinco irmãos que moram no interior. Agora eles já entendem o processo da luta necessária para nós pobres termos nossos direitos garantidos”.



Atualmente Mildo, que está com 33 anos, é coordenador de grupos de base da luta por moradia na Zona Norte, faz parte do Coletivo Cultural da Ocupação 588, é uma das lideranças do MSTRU e está cursando Serviço Social na faculdade. “Meu objetivo é transmitir para outras pessoas o conhecimento que recebi, para que elas possam também buscar os seus direitos.

Mildo lamenta o fato de o Judiciário não aplicar a lei, contra o abandono de prédios devedores de impostos, que ficam décadas, cheios de pragas, enquanto os trabalhadores não têm onde morar. “Nossa luta também é para que prédios como esse sejam transformados em moradia social.”.
Além da moradia a Ocupação São João 588 oferece uma vida sócio-comunitária pulsante para seus moradores: Saraus; Café Imaginário, Teatro, Cinema, biblioteca,  festas, dança e agora uma horta que pretende abastecer a comunidade local e multiplicar a experiência para outras comunidades.





domingo, 23 de agosto de 2015

MUTIRÃO PARA CONSTRUIR CISTERNAS E MITIGAR PROBLEMAS DA CRISE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO

Cisterna da D. Orminda
A educadora Terezinha Silva continua com seu belo exemplo de que cada cidadão pode fazer a sua parte, no enfrentamento às mudanças climáticas e a crise de abastecimento de água. 

Oficina Dom Bosco
A  construção de cisternas, que acopladas à calha do telhado reservam a água de chuva, que serve para lavar banheiros e quintal e uma experiência tem sido multiplicada nas favelas e comunidades onde o Programa Urbano atua, com o apoio da Cartilha.  
Também já foi levada para outros municípios e até outros países através de inúmeras reportagens de diferentes veículos de comunicação. O último mutirão foi com os jovem das Comunidades Vergueirinho e Divinéia, na Zona Leste da Capital Paulista. 


O Programa Urbano trabalha junto às comunidades,para mitigar os problemas com abastecimento de água, nas comunidades em extrema vulnerabilidade social e ao mesmo tempo atua junto ao poder público por medidas estruturais.

Nós defendemos  políticas públicas de enfrentamento à crise de abastecimento de água em São Paulo. Esta é bandeira prioritária das ações do Projeto “Promovendo uma cidade inclusiva e sustentável” co-financiado pela União Européia.  Defendemos que o Governo do Estado tome medidas urgentes para mudar a política de abastecimento de água e que a sociedade participe nas resoluções.

A crise de abastecimento de água não é fruto somente do atraso das chuvas, mas também  da falta de obras e do modelo da gestão privada da água, um bem que é direito fundamental. A Sabesp desperdiça quase um terço da água por causa da falta de manutenção dos encanamentos, pois tem sido prioridade da empresa de saneamento garantir a distribuição de lucros para acionistas.

O Conselho Municipal das Cidades reforça a necessidade da prefeitura ter um papel mais proativo nessa crise. E nós reafirmamos essa necessidade, pois a falta de solução para os problemas de déficit habitacional ameaça as áreas de mananciais.  Fica mais urgente produzir habitação de interesse social, no Centro de São Paulo para evitar ocupação destas áreas.

A falta de políticas públicas para moradia popular, próxima ao local de trabalho, faz com que muitas pessoas busquem beiras dos córregos e áreas de preservação ambiental para morar. A cidade de São Paulo chegou aos limites da expansão – as áreas de mananciais estão ocupadas e o desmatamento pode comprometer ainda mais o fornecimento de água, que já está precário. No mês de março de 2014, com o atraso da chuva, a capacidade do Sistema Cantareira, que abastece as zonas Norte e Central, partes da Zona Leste e Oeste e cerca de 10 municípios da Grande São Paulo, caiu ao nível de 3.5%, o mais baixo da história. Além disso, com a expansão da cidade, corre-se o risco de destruir o que resta de Mata Atlântica.  Este ano de 2015, após as chuvas de verão, o nível não conseguiu se recuperar e já se fala em racionamento.

O Programa Urbano atua para a redução da pobreza urbana em São Paulo desde 2007. Em 1º de janeiro de 2013, uma nova fase deste programa começou com o projeto “Promovendo uma Cidade Inclusiva e Sustentável”, financiado por CAFOD e a União Europeia, com duração de três anos. O foco desta nova fase é a redução das vulnerabilidades sócio-ambientais e impactos das mudanças climáticas nas comunidades de baixa renda em São Paulo. Não é possível pensar em moradia digna sem considerar meio ambiente e vice-versa. Somente o exercício pleno de todos os direitos, sejam eles sociais, ambientais, culturais, pode assegurar a cidade justa e sustentável, para que cidadãos e cidadãs não fiquem excluídos.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

EMBAIXADOR DA UNIÃO EUROPEIA VEIO CONHECER O TRABALHO DO PROGRAMA URBANO

Heluisa, João Cravinho, Solange, Lucas, Geni e Sueli
O embaixador da União Européia no Brasil, João Gomes Cravinho, visitou famílias acompanhadas por educadoras do Programa Urbano, na Zona Norte da Cidade de São Paulo, nesta quarta-feira, 19 de agosto. As coordenadoras Heluisa Soares e Sueli de Fátima Almeida, acompanharam a visita.

Na Ocupação Brasilândia, Cravinho ouviu o relato da educadora Geni Monteiro sobre o apoio do Programa Urbano às 450 famílias ameaçadas de despejo. No dia 2 de julho passado, elas passaram 24 horas acampadas, na porta da Prefeitura de São Paulo, com muita chuva, em barracas e conseguiram negociar com a prefeitura mais três meses no local. Desde a negociação a educadora do Programa Urbano vem acompanhando o cumprimento da promessa da Prefeitura de fazer levantamento de vulnerabilidades (idosos, deficientes, etc), de acordo com a portaria 161/2015 do Minha Casa Minha Vida para possíveis encaminhamentos. A reintegração que  foi re-agendada para dia 5 de outubro. A negociação é permanente para  que as famílias permaneçam no local ou sejam amparadas.

O terreno onde estão as famílias ficou abandonado por mais de 30 anos. As famílias tem apoio dos vizinhos que se sentiram aliviados, pois o local era depósito de lixo, e muitos estupros ocorreram ali. Hoje abriga famílias trabalhadoras que não conseguem comer, dar de comer a seus filhos e pagar aluguel, na cidade mais rica do país.

Priscila Leme à direita na foto
O embaixador conversou com algumas famílias e visitou a casa de Priscila Lemes da Silva, 33 anos, que cuida dos dois filhos (4 e 2 anos) e da avó acamada. Seu sonho é ter uma casa com cozinha, sala e quarto para seus filhos. O Marido é autônomo, trabalha com reciclagem e vende peixe na rua.  Solange Lotério, 47 anos é mãe do Lucas Luan de 12 anos, seu marido Elinaldo Isidoro, 40 anos é Gari da Prefeitura de São Paulo.
Marcela à direita na foto
 Marcela Aparecida Neves, 26 anos, tem três filhas (7,6 e 1,4 anos).  Todas afirmam que na ocupação encontram solidariedade e conseguem dar mais dignidade aos seus filhos. Pois os aluguéis em São Paulo são muito caros, não dá pra pagar aluguel e colocar comida na mesa para a família. E muitos proprietários se negam a alugar para quem tem filhos.

Cravinho também visitou o Conjunto Minas Gás II. São cinco torres de 20 apartamentos cada, era um terreno ocupado por famílias sem-teto, bem pertinho da Ponte Freguesia do Ó. 
Sueli, Claudete, Cravinho e Heluisa
No Apartamento de Claudete Amorim,  ouviu histórias da luta, que durou 15 anos e com o apoio do Programa Urbano levou 100 famílias à conquista da casa própria.

“Quando eu entrei na minha casa pela primeira vez a primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus. Foi uma luta muito grande, teve muito choro, mas a partir de agora é só agradecimento. Meu filho não acreditava. A gente morava num local muito pequeno, banheiro do lado de fora... dois adolescentes. Quando ele chegou que viu que teria o cantinho dele, nem acreditou.”

A luta do grupo começou com o pai de Claudete. Em 2007 ele faleceu e ela assumiu. “Eu nunca tinha trabalhado fora, meu primeiro trabalho foi na Apoio e foi na Apoio que aprendi  lutar pelos direitos. Com a ajuda da Cafod e da União européia tivemos orientação, através do Programa Urbano, para tomar decisões, que nos ajudaram a chegar até onde chegamos. A gente fazia reuniões, manifestações, ia até o CDHAU, COHAB, cobrar nossos direitos. E no segundo semestre de 2013 começou a construção. Mudamos em junho de 2014.” 
O quarto do filho

Claudete conquistou sua casa, mas, além de trabalhar com moradores em situação de rua, continua coordenando um grupo de 800 pessoas que lutam pela moradia. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

FAMÍLIAS DO JDM PARANÁ LUTAM POR ÁGUA POTÁVEL

Na quarta-feira, 12 de agosto, representantes das famílias do Jdm Paraná, região da Brasilândia, participaram de audiência na Defensoria Pública do Estado de São Paulo, para buscar uma solução para os graves problemas que a comunidade enfrenta, por falta de saneamento básico e infra estrutura. A educadora  Josélia Martins tem acompanhado a luta das famílias desde 2013 e participou do encontro.

Cerca de mil famílias residem nesta área classificada, como de risco, pelas autoridades. A falta de saneamento básico é um dos graves problemas. A Sabesp se nega a fazer a canalização da água e do esgoto, alegando que a água não tem pressão suficiente para subir o morro e que a área é irregular. Diante da negativa da Sabesp as famílias fazem ligações clandestinas, com o uso de mangueiras e de uma bomba, que envia a água até as residências, ocorre que essas mangueiras passam por dentro Córrego Bispo, no meio da água contaminada por esgoto.


Orientadas pela educadora do Programa Urbano, as famílias solicitaram análise da água, mas até o momento a Sabesp não deu retorno. As famílias desconfiam que muitas doenças na comunidade sejam causadas pela água contaminada. Renata Lúcio conta que Leonardo dos Santos, seu companheiro, há um ano e meio faz hemodiálise, acometido por Tuberculose Renal, que paralisou seus rins aos 24 anos. O casal tem cinco filhos com idades entre 14 e 5 anos. Renata conta que é comum ver crianças brincando na água do córrego.

Depois que a educadora do Programa Urbano, José Martins passou a acompanhar a comunidade, 40 famílias em maior vulnerabilidade social foram cadastradas no NIS e 12 delas já estão recebendo o Bolsa Família. Estão lutando junto à prefeitura para que as famílias mais afetadas sejam incluídas no parceria social e que um muro de arrimo seja construído para diminuir os riscos.
As famílias foram recebidas pela Defensora Marina Craveiro, do Núcleo de Habitação. A defensoria pode entrar com um processo para exigir  intervenções da Sabesp, Eletropaulo e Prefeitura. A defensora pública solicitou que antes as famílias sejam informadas que existirá a possibilidade de remoção de algumas delas. Os representantes terão nova audiência dia 20, para trazer a posição da comunidade. 



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Encontro dos movimentos sociais com Papa Francisco n Bolívia

Representantes do Programa Urbano também estiveram em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, para  o II Encontro Mundial dos Movimentos Populares com o Papa Francisco, que recebeu delegados de todo o mundo. "Francisco é o primeiro Papa que nos escuta! Temos uma grande responsabilidade aqui”. Disse Evo Morales, o presidente da Bolívia.

 "Se a política for dominada pela especulação financeira, ou se a economia for governada apenas por um paradigma tecnocrático e utilitário preocupado apenas com o aumento da produção, não conseguiremos compreender, quanto mais resolver, os grandes problemas da humanidade", disse o Papa.

No encontro o cardeal Peter Turkson disse que a Igreja quer escutar o grito dos pobres: "o grito, a queixa, o protesto e a pressão dos pobres são de vital importância para que os poderosos do mundo compreendam que assim não se pode continuar. A Igreja quer escutar este grito e somar-se a ele[...]. A Igreja quer unir suas mãos nesses processos e ajudá-los para que a cada dia suas cooperativas sociais, suas associações comunitárias, suas comunidades campesinas e indígenas se fortaleçam, para que possam dar mais e melhores condições para o desenvolvimento integral dos excluídos como pessoas, famílias e povos”.



A visita do Papa por três países da América Latina, que começou na segunda-feira no Equador, acaba no domingo no Paraguai.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

5ª Jornada de Moradia: A relação da Justiça com a moradia e a cidade

Educadores do Programa Urbano participaram da 5ª edição da Jornada da Moradia Digna que  aconteceu nos dias 4 e 5 de julho, com o tema “Justiça para quem?” Os debates este ano focaram a relação da Justiça com a moradia e a cidade. 
O evento é organizado por diversas instituições públicas e privadas, dentre elas a Defensoria de São Paulo, Ouvidoria da Defensoria e PUC-SP, e por movimentos sociais engajados na questão do direito à cidade e à moradia digna.
Durante a Jornada, os participantes discutiram, essencialmente, a forma como o sistema de Justiça – Juízes, Ministério Público, Defensoria Pública, advogados públicos e populares – tem atuado nos conflitos fundiários urbanos. Ou seja:  como as partes envolvidas são ouvidas e atendidas; se as soluções adotadas estão ou não promovendo justiça social. Também foi debatida a criminalização de movimentos sociais envolvidos com a questão da terra e o posicionamento do judiciário em relação ao conflito “moradia x propriedade”
Por conta do tema, esta 5ª Jornada pretende criar espaços coletivos formados, em especial, por segmentos marginalizados da população, onde seja possível compartilhar experiências, aumentar conhecimentos e conscientizar a sociedade quanto à situação de exclusão que tem acompanhado a construção das metrópoles.
Pré-Jornadas
Antes da 5ª Jornada de Moradia Digna, foram realizadas as pré-jornadas, eventos divididos em cinco dias, um em cada zona de São Paulo. Nestes encontros, ocorreram discussões com moradores e lideranças de comunidades para levantar suas demandas e os problemas por eles enfrentados.
5ª Pré-Jornada da Moradia Digna
Data: 4 e 5 de julho de 2015
Local: Avenida Nazaré, 993, Ipiranga (Campus Ipiranga da PUC-SP)
Horário: 9h-18h
Com informações do Site da Associação Paulista dos Defensores Públicos
http://www.apadep.org.br/noticias/5a-jornada-da-moradia-digna-acontece-em-julho/

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Túneis sem luz e ventilção e risco de desabamento na favela Jacaraipe


Finalmente a esperança de que teremos uma boa notícia. Educadores do Programa Urbano acompanharam a vistoria do Engenheiro responsável pela construção dos alojamentos da Favela Jacaraipe, na Av. do Estado. O objetivo é  para fazer um levantamento da situação atual e encaminhar relatório para Subprefeitura Vila Prudente. O alojamento provisório foi feito pela COHAB há 13 anos se transformou em um emaranhado de barracos sobrepostos e as famílias que ali residem estão correndo sérios riscos.

Para chegar em algumas moradias  da favela Jacaraipe é necessário percorrer túneis sem ventilação,
iluminados por lâmpadas, pois a luz do sol não entra. Os barracos que ficam na parte de baixo estão correndo sérios riscos, pois a viga, que sustenta 15 mil litros de água da caixa, está cedendo.

Esta favela, que ocupa uma área mista  (parte do terreno é da prefeitura e a outra parte da construtora Ibitirama) pegou fogo há 13 anos, na época foi construído um alojamento provisório de dois andares, para abrigar as famílias que perderam suas casas. De lá para cá outras famílias, sem-teto, foram ocupando por cima e virou um emaranhado insalubre e de alto risco. Não existe rota de fuga. Não existe ventilação. Meio dia se apagar a luz é noite. Os educadores do PU, junto com  as lideranças locais, vêm lutando junto ao poder público, em busca de providência urgente para a situação. 


O engenheiro que fez a vistoria e foi  o responsável pela construção do alojamento no passado, disse que vai sugerir a remoção das famílias. Será necessário uma ação conjunta da COHAB com a Secretaria Municipal da Habitação. Nós continuaremos apoiando a luta das famílias junto ao poder público.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia Nacional de Luta por Políticas Públicas com Participação Popular

Educadoras do Programa Urbano participaram, neste domingo, 31 de maio, do Dia Nacional de Luta por Políticas Públicas com Participação Popular, organizado pela Central de Movimentos Populares – CMP, com o tema  “Pelo Poder Popular, Mais Direitos e Contra o Golpe.
O ato em São Paulo aconteceu na Praça da Sé, no centro da cidade, e reuniu diferentes organizações e movimentos populares representantes dos sem teto, saúde, mulheres, associações de moradores, educação, juventude, combate ao racismo, LGBT, grupos da periferia, entre outros, todos filiado à Central de Movimentos Populares (CMP).
A CMP promete estar nas ruas em defesa do poder popular, de mais direitos, contra o ajuste fiscal, contra a fúria direitista, a tentativa de golpe, contra a terceirização, contra a redução da maioridade penal, pelo fim do genocídio contra a juventude negra, pela desmilitarização das polícias e o fim dos autos de resistência, pelo plebiscito da constituinte exclusiva e o fim do financiamento empresarial como forma de combater a corrupção, e pela reforma urbana e a manutenção e ampliação dos direitos e programas sociais.

Além da característica política, o ato promoveu ações em tendas e apresentações culturais das 9h00 às 14h00.  Seis tendas espalhadas na praça ofereceram materiais informativos,  sobre as questões sociais e reivindicações de políticas públicas para mulheres, saúde, crise da água, moradia, discriminação racial, defesa do plebiscito constituinte, reforma política, entre outros temas.

sábado, 30 de maio de 2015

1ª Jornada dos Polos de Educação Ambiental


Educadores do Programa Urbano participaram da primeira Jornada dos Polos de Educação Ambiental, que aconteceu dia 28 de maio, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo. 
O evento compartilhou práticas realizadas nos territórios que correspondem às subprefeituras de Perus e de São Mateus.

Foram apresentadas experiências da sociedade civil nestes territórios sob o olhar de escolas, universidades, coletivos de cultura e movimentos de moradia.

Getúlio Mendes de Carvalho e Terezinha Camargo da Silva, educadores do PU em  (São Mateus), Zona Leste da Capital,  compartilharam a experiência das cisternas para captação de água de chuva.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

ENFRENTAR A POBREZA É ENFRENTAR A INJUSTIÇA SOCIAL

“Em alguns momentos foi difícil ouvir as histórias e ver as lágrimas de algumas mulheres apoiadas pelas educadoras do Programa Urbano. Mas Foi enriquecedor constatar que essas lideranças, que já passaram por situação de pobreza extrema, transformaram suas vidas e agora colaboram para transformar a vida dos outros.”


Andrés Gomez de la Torre, Chefe de Programas Internacionais de CAFOD - Agência Católica para o Desenvolvimento, Internacional da Inglaterra e País de Gales, esteve no Brasil na semana passada. Durante três dias, percorreu algumas comunidades e grupos, beneficiárias do Programa Urbano e pode constatar o tamanho da contradição ainda existente no Brasil, a sétima maior economia do planeta, no coração de São Paulo, a cidade mais rica do país. A favela Jacareipe, na Av. do Estado é um exemplo. Para chegar em algumas moradias, percorremos túneis sem ventilação, iluminados por lâmpadas, pois a luz do sol não entra. Neste local as famílias que habitam o subterrâneo da favela, estão correndo sérios riscos, pois a viga, que sustenta 15 mil litros de água da caixa, está cedendo. Esta favela, que ocupa uma área mista  (parte do terreno é da prefeitura e a outra parte da construtora Ibitirama) pegou fogo há 13 anos, na época foi construído um alojamento provisório de dois andares, para abrigar as famílias que perderam suas casas. De lá para cá outras famílias, sem-teto, foram ocupando por cima e virou um emaranhado insalubre e de alto risco. Não existe rota de fuga. Não existe ventilação. Meio dia se apagar a luz é noite. Os educadores do PU, junto com  as lideranças locais, vêm lutando junto ao poder público, em busca de providência urgente para a situação.  

Os dramas humanos não são poucos numa cidade grande e desigual como São Paulo. Mas existem também muitas histórias de resistência e solidariedade. Nas cooperativas de catadores de material reciclável, na cooperativa de alimentos Pão e Arte, a organização para o trabalho, educação da comunidade e a contribuição para a preservação do meio ambiente. Na Ocupação São João, 288, tristeza e lágrimas de quem foi abandonada grávida,  junto com a alegria da acolhida  e solidariedade das famílias organizadas na luta pelo direito à moradia. Uma conta que finalmente teve a oportunidade de fazer o transplante de rim. Outro casal declara o sonho de realizar a cerimônia de casamento  dentro da ocupação, pelo significado que o espaço ganhou em suas vidas. Ficaram para trás os dias de sufoco. Vieram do norte, dormiram em um colchão de berço no chão, sentindo as baratas passando por cima deles. Agora, na ocupação, moram com dignidade, próximo ao trabalho. O fantasma é outro, a reintegração. A diferença agora é que ninguém mais está sozinho e aprenderam que têm direitos fundamentais garantidos pela Constituição. Juntos, organizados, têm mais condição de exigir  do poder público o cumprimento desses direitos. 


Em todas as conversas durante a visita, a esperança de uma moradia digna, trabalho, educação, saúde.  De preferência tudo isso perto do trabalho.  Esse sentimento de vitória pode ser compartilhado nas histórias de famílias da favela Vergueirinho, que já passou por urbanização, com remoção de         quem estava nas áreas de risco, para prédios construídos no mesmo local; contensão de encostas com muros de arrimo; abertura e calçamento de ruas. Nos conjuntos Condomínio Victor Toma Mastorozo, e Brotas mais “causos” cheios de graça e alegria, de pessoas que já conquistaram suas moradias definitivas, depois de anos de luta.

No quintal da educadora Terezinha Silva, um belo exemplo de que cada cidadão pode fazer a sua parte no enfrentamento às mudanças climáticas. Em cerca de 30 metro quadrados de quintal, ela e o marido mantêm uma horta viçosa. A terra que aduba a horta é produzida no minhocário. São três caixas: na primeira o lixo orgânico (restos de cascas, etc) alimenta as minhocas, a terra rica é recolhida na segunda caixa  e o chorume (aquela aguinha presta) na terceira. Por incrível que pareça não tem nenhum odor.  Tudo será reciclado na horta. Para aguar as plantas foram construídas cisternas, que acopladas à calha do telhado reservam a água de chuva, que também serve para lavar banheiros e quintal. Toda essa experiência tem sido multiplicada nas favelas e comunidades onde o Programa Urbano atua, com o apoio da Cartilha.  Também já foi levada para outros municípios e até outros países através de inúmeras reportagens de diferentes veículos de comunciação.

Na reunião de avaliação da visita, que  reuniu a equipe de educadores, coordenação e os representantes de As representantes CAFOD, Emily Muville e Cecília Iório,  Andrés Gomez de la Torre  afirmou que “Em alguns momentos foi difícil ouvir as histórias e ver as lágrimas de algumas mulheres, apoiadas pelas educadoras do Programa Urbano. Mas Foi enriquecedor constatar que essas lideranças, que já passaram por situação de pobreza extrema, transformaram suas vidas e agora colaboram para transformar a vida dos outros.” 

É consenso para o grupo que enfrentar a pobreza no Brasil, uma potência econômica, a sétima maior economia do mundo, é enfrentar a injustiça social, que concentra a riqueza nas mãos de 10% da população, enquanto o país, apesar dos avanços dos últimos 15 anos, ainda mantém milhões abaixo da linha da pobreza.

Andrés avaliou como uma grande riqueza do povo pobre brasileiro, a organização para a luta, um capital social. “ Essas experiências de luta do Brasil precisam ser compartilhadas. Em muitos países programas sociais como o Bolsa Famílias não existem nem no sonho.” afirmou Andrés. Ele teve tempo de ver de perto uma manifestação de representantes de milhares de famílias que ocupam imóveis abandonados, do centro da Capital e que estão ameaçadas de despejo.

O programa está desenvolvendo  o projeto “Promovendo Uma cidade Inclusiva e Sustentável” em São Paulo. A realização é da parceria entre Apoio – Associação de Auxílio Mútuo e MDF – Movimento de Defesa dos Favelados,  com apoio de CAFOD -  a Agencia Católica para a Cooperação Internacional de Inglaterra e País de Gales e financiamento da União Europeia.