quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Conselho Municipal de Habitação

Educadoras do Programa Urbano participaram da primeira reunião de 2015, do Conselho Municipal da Habitação, no dia 22 de janeiro. Em pauta o cronograma de investimentos do Fundo Municipal de Investimentos, a realização da segunda Conferência Municipal de Habitação e um polêmico, a Alienação Fiduciária, que coloca em risco a moradia, em caso de atraso no pagamento das prestações.  Apesar do voto contrário dos representantes do PU no CMH, a proposta  foi aprovada. 
Os conselheiros foram  eleitos para um mandato de dois anos, com o desafio de revisar o Plano Municipal de Habitação, estabelecer diretrizes para a política habitacional e propor alternativas para o aperfeiçoamento dos programas municipais de habitação:



-Defender os princípios do Estatuto da Cidade e continuar lutando em defesa do Plano Diretor Estratégico;
-Defender a retomada dos mutirões autogeridos;
-Continuar a Luta contra os despejos, as remoções forçadas nas favelas e denunciar qualquer violação ao direito à moradia;
-Luta pela urbanização e regularização fundiária das favelas, loteamentos e áreas ocupadas;
-Lutar pela regularização e contratos justos dos conjuntos já habitados;
-Lutar por moradia digna na área central da cidade e exigir recursos estáveis para o Programa de Parceria Social e Programa de Locação Social;
-Lutar pela construção democrática do Plano Municipal de Habitação.

O CNH é formado por 48 membros: 16 representantes de entidades de moradias, 16 do poder público municipal, estadual e federal e outros 16 membros da sociedade civil. 
O processo de eleição CMH reuniu entidades comprometidas com a luta por moradia, em torno da Chapa 404 – “Construindo a Unidade Popular”, em seis articulações: Frente de Luta por Moradia, Central de Movimentos Populares, União dos Movimentos de Moradia, Movimento de Moradia Para Todos, Movimento Nacional de Luta pela Moradia e Unificadora dos loteamentos.  Esta chapa que também conta com educadores do Programa Urbano, recebeu 28.733 votos, e ficou com 11, das 16 vagas destinadas às entidades de moradia.  




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

MINAS GÁS II: A VITÓRIA DA LUTA DAS FAMÍLIAS


Até hoje eu acordo de manhã  e falo: “Meu Deus! Eu não acredito.” Foi uma luta muito grande e a gente já tinha até pensado que não ia acontecer.  Meu filho não acreditava. A gente morava num local muito pequeno, banheiro do lado de fora... dois adolescentes. Quando ele chegou que viu que teria o cantinho dele, nem acreditou.

Quando eu entrei na minha casa pela primeira vez a primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus. Foi uma luta muito grande, teve muito choro, mas a partir de agora é só agradecimento.

Meu pai encarou essa luta desde a década de 90. Em 2007 ele faleceu e eu, que era uma simples dona de casa, tive que assumir a luta de meu pai, por moradia, para nós e as outras famílias. Eu nunca tinha trabalhado fora, meu primeiro trabalho foi na Apoio e foi a Apoio que me transformou nessa guerreira, que agora sabe lutar pelos direitos. Nós éramos 100 famílias lutando para a Prefeitura construir os prédios na área. A gente sabia que a casa não ia ser de graça, mas mesmo assim não foi fácil a luta. 

Começa hoje, começa amanhã, as famílias já não aguentavam mais pagar aluguel. Sê come e dá comida para os filhos não paga, sê paga o aluguel não compra comida. Com a ajuda da Cafod e da União européia tivemos orientação, através do Programa Urbano, para tomar decisões, que nos ajudaram a chegar até onde chegamos. A gente fazia reuniões, manifestações, ia até o CDHAU, COHAB, cobrar nossos direitos. E no segundo semestre de 2013 começou a construção. Mudamos em junho de 2014.

A Claudete de hoje é uma guerreira. Hoje eu aprendi a lutar pelos meus direitos, trabalho. Hoje a Claudete é outra pessoa. Quando meu pai morreu em 2007 muitas pessoas não acreditaram em mim. Eles falavam: “Se com um homem à frente não saiu, vai sair com uma mulher? Mas eu consegui. E está aqui na minha mão agora a chave do meu apartamento e de cem famílias. E não pretendo parar por aqui não.

E o recado que deixo para todos é: Persistam na luta, eu não consegui? Então vocês vão conseguir sim.


São cinco torres de 20 apartamentos cada, do Conjunto Minas Gás II, era um terreno ocupado por famílias sem-teto, bem pertinho da Ponte Freguesia do Ó, aqui em São Paulo.