sábado, 21 de março de 2015

POR POLÍTICAS PÚBLICAS DE ENFRENTAMENTO À CRISE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO


Na sexta-feira 20 de março educadoras e educadores do Programa Urbano participaram, juntamente com outros movimentos sociais, da manifestação pelo enfrentamento da crise de abastecimento de água em São Paulo. O ato que começou na praça Osvaldo Cruz, terminou na em frente Á Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, na Rua Bela Cintra,847. 

Nós defendemos  políticas públicas de enfrentamento à crise de abastecimento de água em São Paulo. Esta é bandeira prioritária das ações do Projeto “Promovendo uma cidade inclusiva e sustentável” co-financiado pela União Européia.  Defendemos que o Governo do Estado tome medidas urgentes para mudar a política de abastecimento de água e que a sociedade participe nas resoluções.


A crise de abastecimento de água não é fruto somente do atraso das chuvas, mas também  da falta de obras e do modelo da gestão privada da água, um bem que é direito fundamental. A Sabesp desperdiça quase um terço da água por causa da falta de manutenção dos encanamentos, pois tem sido prioridade da empresa de saneamento garantir a distribuição de lucros para acionistas. Ela ainda favorece grandes consumidores com vultosos descontos, enquanto impõe rodízio e multa para os mais pobres. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, grandes consumidores tiveram mais de 50% de desconto em suas contas.

O Conselho Municipal das Cidades reforça a necessidade da prefeitura ter um papel mais proativo nessa crise. E nós reafirmamos essa necessidade, pois a falta de solução para os problemas de déficit habitacional ameaça as áreas de mananciais.  Fica mais urgente produzir habitação de interesse social, no Centro de São Paulo para evitar ocupação destas áreas.

A falta de políticas públicas para moradia popular, próxima ao local de trabalho, faz com que muitas pessoas busquem beiras dos córregos e áreas de preservação ambiental para morar. A cidade de São Paulo chegou aos limites da expansão – as áreas de mananciais estão ocupadas e o desmatamento pode comprometer ainda mais o fornecimento de água, que já está precário. No mês de março de 2014, com o atraso da chuva, a capacidade do Sistema Cantareira, que abastece as zonas Norte e Central, partes da Zona Leste e Oeste e cerca de 10 municípios da Grande São Paulo, caiu ao nível de 3.5%, o mais baixo da história. Além disso, com a expansão da cidade, corre-se o risco de destruir o que resta de Mata Atlântica.

O Programa Urbano atua para a redução da pobreza urbana em São Paulo desde 2007. Em 1º de janeiro de 2013, uma nova fase deste programa começou com o projeto “Promovendo uma Cidade Inclusiva e Sustentável”, financiado por CAFOD e a União Europeia, com duração de três anos. O foco desta nova fase é a redução das vulnerabilidades

sócio-ambientais e impactos das mudanças climáticas nas comunidades de baixa renda em São Paulo. Não é possível pensar em moradia digna sem considerar meio ambiente e vice-versa. Somente o exercício pleno de todos os direitos, sejam eles sociais, ambientais, culturais, pode assegurar a cidade justa e sustentável, para que cidadãos e cidadãs não fiquem excluídos.

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