domingo, 15 de março de 2015

Por políticas de enfrentamento à “crise hídrica” em São Paulo

Na sexta-feira 20 de março o Programa Urbano estará com outros movimentos sociais nas ruas, por políticas públicas de enfrentamento à crise hídrica em São Paulo. Esta é bandeira prioritária das ações do Projeto “Promovendo uma cidade inclusiva e sustentável” co-financiado pela União Européia.   Defendemos que o Governo do Estado tome medidas urgentes para a falta d’água e que a sociedade participe nas resoluções.

A crise hídrica não é fruto somente do atraso das chuvas, mas também  da falta de obras e do modelo da gestão privada da água, um bem que é direito fundamental. A Sabesp desperdiça quase um terço da água por causa da falta de manutenção dos encanamentos, pois tem sido prioridade da empresa de saneamento garantir a distribuição de lucros para acionistas. Ela ainda favorece grandes consumidores com vultosos descontos, enquanto impõe rodízio e multa para os mais pobres. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, grandes consumidores tiveram mais de 50% de desconto em suas contas.

O Conselho Municipal das Cidades reforça a necessidade da prefeitura ter um papel mais proativo nessa crise. E nós reafirmamos essa necessidade, pois os problemas de déficit habitacional amplia a crise hídrica.  Fica mais urgente produzir habitação de interesse social, no Centro de São Paulo.

A falta de políticas públicas para moradia popular, próxima ao local de trabalho, faz com que muitas pessoas busquem beiras dos córregos e áreas de preservação ambiental para morar. A cidade de São Paulo chegou aos limites da expansão – as áreas de mananciais estão ocupadas e o desmatamento pode comprometer ainda mais o fornecimento de água, que já está precário. No mês de março de 2014, com o atraso da chuva, a capacidade do Sistema Cantareira, que abastece as zonas Norte e Central, partes da Zona Leste e Oeste e cerca de 10 municípios da Grande São Paulo, caiu ao nível de 3.5%, o mais baixo da história. Além disso, com a expansão da cidade, corre-se o risco de destruir o que resta de Mata Atlântica.

O Programa Urbano atua para a redução da pobreza urbana em São Paulo desde 2007. Em 1º de janeiro de 2013, uma nova fase deste programa começou com o projeto “Promovendo uma Cidade Inclusiva e Sustentável”, financiado por CAFOD e a União Europeia, com duração de três
anos. O foco desta nova fase é a redução das vulnerabilidades
sócio-ambientais e impactos das mudanças climáticas nas comunidades de baixa renda em São Paulo. Não é possível pensar em moradia digna sem considerar meio ambiente e vice-versa. Somente o exercício pleno de todos os direitos, sejam eles sociais, ambientais, culturais, pode assegurar a cidade justa e sustentável, para que cidadãos e cidadãs não ­ fiquem excluídos.

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