terça-feira, 24 de março de 2015

QUANDO SEM TETO INVADE A CASA DE OUTRO SEM TETO

O senhor Pedro Luiz de Carvalho, 72 anos, Morou na favela Cinco de Julho, em São Matheus, Zona leste de São Paulo desde a década de 80. Finalmente conquistou sua moradia definitiva no Condomínio Victor Toma Mastorozo  - Rua Engenheiro Vila Artigas, 3240 – Apartamento 46 do Bloco C”.

.
“Eu morava do lado do Córrego Cangueiras, um sofrimento ao lado do esgoto a céu aberto, que vinha pra dentro de nossas casas quando chovia. Mesmo assim enfrentei muitas enchentes, ameaças de despejo, e resistimos organizados na luta por moradia digna.

Com a ajuda do MDF, Movimento de Defesa do Favelado, que tem apoio no Programa Urbano, algumas famílias se beneficiaram com a  urbanização  da favela, que  canalizou o córrego, pavimentou vielas, instalou  água e esgoto. Outras como a minha, que estavam mais próximas do córrego, precisaram ser retiradas.   Trinta famílias foram beneficiadas com apartamentos no Condomínio Victor Toma Mastorozo, construído pela Prefeitura de São Paulo, em São Matheus. E a gente passava em frente e ficava namorando nossa futura casa. Mas quando estavam quase prontos, já pintados, outras famílias sem-teto ocuparam os prédios.

Começou novo calvário. Nós fomos tirados de nossas casas perto do córrego, com a promessa de que em menos de dois anos a situação estaria resolvida. Com a ajuda da prefeitura eu pagava dois cômodos onde nem cabiam nossos móveis.

E aí depois da ocupação foram mais onze meses de sofrimento, vendo o sonho da casa própria mais uma vez se afastar para longe, por conta da realidade da falta de moradia na cidade de São Paulo. Era sem-teto ocupando a casa de sem-teto.  Imagine o nosso sentimento, nós conhecemos o que é isso. Levantamos uma bandeira de luta por moradia, mas estávamos quase desistindo.

Depois de meses a Prefeitura negociou com os sem-teto que tinham ocupado nossos imóveis e tivemos a ajuda do doutor Miguel Reis, advogado do MDF, e finalmente nós, que tivemos nossas casas derrubadas pela prefeitura por estar na beira do córrego, ficamos mais perto de realizar o sonho de entrar em uma casa própria.

As famílias saíram, mas tinham destruído tudo que puderam e foi necessário mais um tempo até que tudo fosse consertado.

No dia que entrei em meu apartamento ensolarado, arejado, disse para Iracema, minha esposa: ‘Graças a Deus! Levantamos a bandeira da vitória!’ Sou muito agradecido ao Programa Urbano e também à CAFOD – Agência Católica Internacional  e União Europeia,  que enviaram ajuda financeira pra fortalecer nossa luta. Todo dia quando acordo parece que estou no paraíso. Dois quartos, sala, cozinha, banheiro, lavanderia.
Foi uma luta muito difícil, sem todo o apoio que tivemos teria sido impossível.”

  http://www.programaurbano.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário