quarta-feira, 19 de agosto de 2015

EMBAIXADOR DA UNIÃO EUROPEIA VEIO CONHECER O TRABALHO DO PROGRAMA URBANO

Heluisa, João Cravinho, Solange, Lucas, Geni e Sueli
O embaixador da União Européia no Brasil, João Gomes Cravinho, visitou famílias acompanhadas por educadoras do Programa Urbano, na Zona Norte da Cidade de São Paulo, nesta quarta-feira, 19 de agosto. As coordenadoras Heluisa Soares e Sueli de Fátima Almeida, acompanharam a visita.

Na Ocupação Brasilândia, Cravinho ouviu o relato da educadora Geni Monteiro sobre o apoio do Programa Urbano às 450 famílias ameaçadas de despejo. No dia 2 de julho passado, elas passaram 24 horas acampadas, na porta da Prefeitura de São Paulo, com muita chuva, em barracas e conseguiram negociar com a prefeitura mais três meses no local. Desde a negociação a educadora do Programa Urbano vem acompanhando o cumprimento da promessa da Prefeitura de fazer levantamento de vulnerabilidades (idosos, deficientes, etc), de acordo com a portaria 161/2015 do Minha Casa Minha Vida para possíveis encaminhamentos. A reintegração que  foi re-agendada para dia 5 de outubro. A negociação é permanente para  que as famílias permaneçam no local ou sejam amparadas.

O terreno onde estão as famílias ficou abandonado por mais de 30 anos. As famílias tem apoio dos vizinhos que se sentiram aliviados, pois o local era depósito de lixo, e muitos estupros ocorreram ali. Hoje abriga famílias trabalhadoras que não conseguem comer, dar de comer a seus filhos e pagar aluguel, na cidade mais rica do país.

Priscila Leme à direita na foto
O embaixador conversou com algumas famílias e visitou a casa de Priscila Lemes da Silva, 33 anos, que cuida dos dois filhos (4 e 2 anos) e da avó acamada. Seu sonho é ter uma casa com cozinha, sala e quarto para seus filhos. O Marido é autônomo, trabalha com reciclagem e vende peixe na rua.  Solange Lotério, 47 anos é mãe do Lucas Luan de 12 anos, seu marido Elinaldo Isidoro, 40 anos é Gari da Prefeitura de São Paulo.
Marcela à direita na foto
 Marcela Aparecida Neves, 26 anos, tem três filhas (7,6 e 1,4 anos).  Todas afirmam que na ocupação encontram solidariedade e conseguem dar mais dignidade aos seus filhos. Pois os aluguéis em São Paulo são muito caros, não dá pra pagar aluguel e colocar comida na mesa para a família. E muitos proprietários se negam a alugar para quem tem filhos.

Cravinho também visitou o Conjunto Minas Gás II. São cinco torres de 20 apartamentos cada, era um terreno ocupado por famílias sem-teto, bem pertinho da Ponte Freguesia do Ó. 
Sueli, Claudete, Cravinho e Heluisa
No Apartamento de Claudete Amorim,  ouviu histórias da luta, que durou 15 anos e com o apoio do Programa Urbano levou 100 famílias à conquista da casa própria.

“Quando eu entrei na minha casa pela primeira vez a primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus. Foi uma luta muito grande, teve muito choro, mas a partir de agora é só agradecimento. Meu filho não acreditava. A gente morava num local muito pequeno, banheiro do lado de fora... dois adolescentes. Quando ele chegou que viu que teria o cantinho dele, nem acreditou.”

A luta do grupo começou com o pai de Claudete. Em 2007 ele faleceu e ela assumiu. “Eu nunca tinha trabalhado fora, meu primeiro trabalho foi na Apoio e foi na Apoio que aprendi  lutar pelos direitos. Com a ajuda da Cafod e da União européia tivemos orientação, através do Programa Urbano, para tomar decisões, que nos ajudaram a chegar até onde chegamos. A gente fazia reuniões, manifestações, ia até o CDHAU, COHAB, cobrar nossos direitos. E no segundo semestre de 2013 começou a construção. Mudamos em junho de 2014.” 
O quarto do filho

Claudete conquistou sua casa, mas, além de trabalhar com moradores em situação de rua, continua coordenando um grupo de 800 pessoas que lutam pela moradia. 

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