sexta-feira, 30 de outubro de 2015

IMIGRANTES NA OCUPAÇÃO ARMÊNIA

A educadora do Programa Urbano, Josélia Martins assessora as famílias sem-teto da Ocupação Armênia. Cinquenta famílias habitam o prédio que foi ocupado no mês de Abril de 2015. O imóvel estava abandonado, cheio de lixo, há mais de 10 anos e tem dívidas que ultrapassam os dois milhões de reais. Algumas de imigrantes também só têm encontrado acolhimento nas ocupações, com os sem-teto da rica Cidade de São Paulo, a família dos bolivianos Simon Ruiz Bautista  e Sonia Mamami Ibanez é uma delas.

Simon e Sonia têm cinco filhos, enfrentaram todo tipo de dificuldades impostas  às famílias em situação de extrema vulnerabilidade em São Paulo,  e com o agravante de além de  pobres serem imigrantes. "Saia cedo e só voltava tarde da noite, só via meus filhos no final de semana", relata Simon, com lágrimas nos olhos. Sonia também tem tristes lembranças da confecção onde trabalhava. "Não me deixavam folgar nem no feriado. Me disseram que eu era Boliviana e tinha que trabalhar. Não tinha que descansar em feriado de brasileiros", afirma.

Desde o mês de agosto a  família vive com seus cinco filhos na Ocupação Armênia. " Não dava mais para pagar o aluguel. O dono queria que a gente saísse. Passei por que e vi escrito 'Luta por moradia', pensei comigo: 'Quero lutar', recorda Simon.

O casal conta que foi  bem recebido pelos coordenadores:  Simon conta que chegou da Bolívia em 2005, já tinha uma filha,  conheceu Sonia e teve mais quatro filhos com ela.  "Eu não tenho mais condição de voltar à Bolívia. Só tinha minha mãe lá e ela já morreu.  Cheguei aqui quase chorando e eles disseram não precisa chorar, nós vamos ajudar vocês." lembra Simon "Eu estava desesperada, ia ser despejada, eu não sabia o que fazer. Aí a gente conheceu a Josélia. Para nós foi como um anjo caído do Céu, pra nós e pra nossos filhos. Antes a gente não conseguia nem comprar roupa para nossos filhos. Conheci muitas pessoas boas aqui que nos ajudaram". afirma Sonia.

Hoje a família, apesar da precariedade física do imóvel, declara que sua vida melhorou muito, Com o dinheiro da rescisão da confecção onde trabalhavam compraram duas máquinas e trabalham em casa,  "Estamos muito felizes, muito sossegados aqui na ocupação, mudou bastante nossa vida. Levamos as crianças pra creche pela manhã, pegamos à tarde, e vivemos tranquilos."

A educador Josélia Martins orienta  e acompanha as famílias, para as matrículas nos postos de saúde, vagas em creche/escola, e na incidência junto ao poder público pelo direito à moradia.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Manifestações no Dia Mundial do Sem Teto pelo Minha Casa Minha Vida III

Educadores do Programa Urbano participaram em São Paulo dos atos que aconteceram em pelo menos  mais 15 capitais brasileiras,  para pedir  o lançamento imediato da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, nesta segunda-feira, Dia Mundial dos Sem-Teto. 

O ato que reuniu os movimentos de moradia  aconteceu na porta da Caixa Econômica Federal na Praça da Sé onde um acampamento está montado. Os movimentos cobram o lançamento e início imediato do programa Minha Casa, Minha Vida III;  o retorno de R$ 5 bilhões que foram cortado da área habitacional, para o orçamento 2016 e a destinação para moradia popular,dos imóveis da União  postos à venda. 


Os movimentos articulados nessa luta, junto ao poder público, pelo direito dos sem-teto são: Central dos Movimentos Populares (CMP), Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Movimento de Luta dos Bairros e Favelas (MLB), União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU).